Poema 6
Olhos iguais, outro olhar,
Silêncios da mesma voz,
Memória vaga e lunar
Do Sol que fôssemos nós...
Assim erramos incertos,
Juntos, distantes, cansados,
Mordendo o pó dos desertos
Onde houve relvas e prados.
E a Vida escoa-se, enquanto
O tempo , alheio à vontade,
Desliza, remoto brando
Duma tranquila orfandade.
Ai de mim!
Que não pedi p´ra nascer
E sou forçado a viver!
Reinaldo Ferreira
(1922 – 1959)
(Do Arquivo de Pedro Valdoy)
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